A felicidade, se é que se pode ser feliz com coisas simples, tem sido um paraíso impossível. Tão perdido quanto a terra do nunca ou um tesouro de piratas.
Estou convencido de que a satisfação e a felicidade são animais domésticos embora criados soltos no vasto campo da alma e do corpo, mas são bravios. De vez em quando, mesmo fartos de agrados, saltam e agarram o pescoço. E a alegria de viver que parecia tão próxima de repente foge pela porta dos fundos. Ninguém vence a tristeza como nos anúncios de um apartamento à venda, com duas boas vagas na garagem, uma área de serviços, varanda de frente para o mar... Ora, se fosse assim, seria fácil viver. As coisa mágicas, e justamente por que são irreais, são encantadoras. Quem sabe a felicidade vive por traz de uma arvore e a gente não nota? Como a historia de uma pescadora de caranguejos, o rapaz saiu de traz de uma arvore dançando, e não encontra a parceira. Volta, então, para sua arvore. Lá, escondida, uma jovem salta num abraço alegre e o leva para casa, onde foram felizes para sempre. Ou como lembra o filósofo Luis Felipe Pondé, e ele tinha razão: a busca enlouquecida da felicidade, um dia deixará as pessoas tolas. Ficamos tolos? Ou vencemos e somos felizes? Quem sobreviver a essa dura olimpíada da felicidade? Aqueles que se imaginam fortes, por isso exibem o riso na arena social, como se a alguém Deus tivesse concedido o direito de ser feliz sozinho? Onde eles estão, os felizes?
O homem sempre acreditou no sonho da felicidade. E que procurá-lo não seria inútil. Tanto que esta no preâmbulo da declaração de independência dos Estados Unidos e na declaração Universal dos Direitos Humanos. Mesmo assim esse homem, lá nos mil seiscentos e tantos anos, já sabia ser insignificante diante da vastidão do universo da grandeza de Deus para desejar tanto. No entanto, ele sonha o seu sonho impossível. Como uma chama desanimada nas sombras de sua alma cheia de medo.
Outro dia, vi uma frase do do livro 'Felicidade, uma historia' do escritor Darrin McMahon - a frase: 'Só a felicidade torna as pessoas verdadeiramente mais humanas'. Mas ele desconfia que o humano, mesmo sendo a plenitude, não é suficiente para ser feliz. Ninguém tem certeza. Ninguém. Nem os filósofos cristãos. Parece que a virtude teria sido o melhor caminho. Se um dia o homem não tivesse duvidado da virtude. Por isso a perdemos. Desgraçadamente.

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